Baseado em casos verídicos

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Treino da Empatia

Na consulta de psicologia, aquela mulher está em silêncio. Tinha sido vítima tantas vezes, que nem sabia por onde começar. Em criança, os colegas não brincavam com ela. Os pais não lhe davam a dose mínima de amor. Mais tarde, um casamento tinha dado apenas desilusões.

Passados uns minutos, diz: 

– Não culpo ninguém! 

A psicóloga, experiente, observa. Nenhum assassino teve uma vida com afeto, pelo contrário. Mas nem toda a falta de afeto leva a que as pessoas se tornem assassinas. Aquela mulher tinha tido uma vida difícil, contudo, era um exemplo. Trabalhava, cumpria e espalhava a sua dose de amor. 

Vendo que a mulher não dizia mais nada, a psicóloga avança:

– Muito bem. E neste momento, como se sente?

– É que eu trabalho na Educação. Eu sinto que tenho que levar o melhor do melhor, para as Crianças e Jovens. O mundo está complicado, sabe? Vemos tantas coisas. Sinto que, independentemente das minhas dificuldades, devo dar o melhor às Crianças e Jovens.

A psicóloga sente orgulho da sua paciente. Sem querer demonstrar, está-lhe grata. O consultório recebia cada vez mais Crianças e Jovens com problemas. O mundo parecia ter evoluído, mas havia bullying, ansiedade, maus resultados escolares, além de um conjunto de doenças novas. 

– Temos que fazer a nossa parte, Doutora. Eu vim pedir ajuda para poder ficar mais forte, mais capaz. É aquela velha história: não podemos mudar o mundo, mas podemos mudar a parte do mundo onde podemos intervir. 

No fim da consulta, cada uma daquelas mulheres foi à sua vida. Pelo caminho observaram a mesma realidade. Um homem insultou outro no trânsito. Um casal de namorados terminou a relação, porque ele era de um determinado partido. Uma senhora mudou de passeio porque vinha um grupo de pessoas sem máscara. 

Somos capazes de perder a paciência com os outros. É natural precisarmos de momentos a sós. 

Por vezes, até temos raiva dos que nos rodeiam. 

Quem trabalha connosco não é igual a nós. Como não são iguais, os homens no trânsito, nem os namorados, nem as pessoas na rua… 

Como não são iguais as formas de enfrentarmos as injustiças. 

Há quem deseje que as diferenças não sejam impeditivas de tentarmos entender o que os outros sentem, pensam, e vivem. Porque só assim podemos ter as mãos a trabalhar para uma evolução positiva. 

No século XXI, o desafio é o da Empatia. 

Um dos sentidos da vida, é tentarmos deixar este mundo um bocado melhor do que estava quando o encontrámos. Quem trabalha na educação tem ainda mais esse poder, sem a sua ação, não sei onde estaríamos. 

Esse sentido da vida, não se consegue mudando tudo. É impossível mudar tudo. Mas se mudarmos o bocado que temos nas mãos…

Por isso, por mim, pelos outros, eu vou à Formação sobre Empatia. Um momento intimista e com poder. O poder que tenho nas mãos.