Propostas para combater a “fadiga da pandemia”

You are currently viewing Propostas para combater a “fadiga da pandemia”

Como se não bastasse tudo o que já se passa, ainda parece que existe algo denominado “fadiga da pandemia”. E não, esta condição não se refere ao pensamento simples, natural e humano:

“Já estou farto desta pandemia, ela já podia acabar, mas quando é que vem a vacina!”.

O problema é que alguns seres humanos começam a pensar: “Já estou farto, fiz tantos esforços, nada funcionou, depois há uns que podem e outros não, vou mas é começar a desrespeitar as normas, e vou abandonar o bom senso!”.

A Organização Mundial de Saúde alerta para este problema. É quase um paradoxo, não é? Quando mais deviam ter os comportamentos e as atitudes certas, mais baixam a guarda.

Inspirado em Hans Henri Kluge, médico e diretor regional da OMS para a Europa, juntando a minha experiência de estar ligado à psicologia, deixo algumas mensagens importantes para quem tem responsabilidades mais ou menos formais.

Claro que o ideal seria os Governantes estarem atentos a esta mensagem, mas cada um, ao seu nível, podemos fazer alguma coisa no sentido de lutar contra a tal “fadiga da pandemia”.

Lutemos contra a “fadiga da pandemia”, para que ela não se instale nos outros…nem em nós…  

Propostas para combater a “fadiga da pandemia”

– Tentemos escutar as pessoas à nossa volta, entendendo os esforços que têm feito. Sabemos das nossas dificuldades. Saberemos quais são, concretamente, as dificuldades dos que nos rodeiam?

Dirão uns que isso não resolve nada. Mentira. Sermos escutados por alguém, pode fazer a diferença. Só escutar já é bom. E depois, claro, se podermos fazer alguma coisa para ajudar, fazemos, mas só escutar já é bom.

Não podemos ser ilhas no sofrimento, nem ilhas nos esforços. Uns têm medo, porque são diabéticos, a outros está a custar-lhe não ver os avós ou os pais, outros ainda estão com medo de dar aulas. Escutemos as pessoas à nossa volta.

– Procuremos o equilíbrio. Sei que parece um lugar comum, mas leia melhor. Parece que o país se está a dividir entre os “fanáticos da máscara” e os “negacionistas da Covid-19”.

Entre os “não saio mais de casa”, e os “a culpa é dos chineses”. Entre os “eu não permito que tenhas contactos com outras pessoas, eu posso, porque os meus contactos são seguros”, e os “vamos fazer jantaradas sem máscara”.

Temos que arranjar maneiras seguras de viver a vida. Continuar a viver a vida, continuar com as nossas rotinas possíveis (as possíveis!), mas de maneira segura.

Há aqui um meio termo que urge atingir. Este meio termo, pode resgatar-nos da “fadiga da pandemia”.

– Paremos de dizer às crianças que o vírus é mau. É um vírus. Ponto. Pode ser contraproducente estar a dizer que é mau.

Façamos pela positiva…os serviços de saúde são bons, os hábitos de higiene são excelentes,…também pode levar a uma certa “fadiga da pandemia”, o estarmos a diabolizar um ser inanimado.

Na verdade, sempre que os educadores e professores sensibilizaram para a importância de lavar as mãos, já estavam a fazer um bom trabalho. A máscara é uma novidade.

E o distanciamento. Mas já havia uma base muito boa, quando se sensibilizou para os cuidados relacionados com a gripe.

Falemos pela positiva, pelo desenvolvimento de competências e não tratemos as crianças como diminuídos, com cançonetas à volta do “bicho”.

A prevenção dos impactos da pandemia nas crianças, está no desenvolvimento de competências, nomeadamente nas competências emocionais.

– Partilhemos as nossas boas ideias. Descobriu reuniões numa plataforma? Divulgue. Manda vir refeições de um local fantástico? Espalhe a ideia. E pode não chegar partilhar.

Tire algum tempo para ensinar alguém como se faz. Isso pode fazer a diferença para resgatar essa pessoa da “fadiga da pandemia”.  

A esperança e o otimismo

No meio de tantas notícias difíceis de gerir, e de tantas incertezas, é, novamente, a esperança e o otimismo flexível que têm que nos guiar, ajudando a manter as medidas, ajudando os outros a cumprir as medidas e ajudando-nos a nós a cumprir.

Sempre com cuidados com a saúde mental, com ajudas ao nosso sistema imunitário (baseadas em fontes científicas), porque estamos a olhar para a frente, com sentido de futuro, não estamos dominados pelo pânico.

Como nota final, gostava de deixar, sem alarmismos, a seguinte questão:

E se as Escolas voltarem a fechar? Prevenindo, pense em alguma coisa que poderia melhorar lá em casa, alguma adaptação,…o que pode fazer agora, para melhorar as suas condições, caso as Escolas voltem a fechar?

Professores e Pais, deveriam pensar nisto. Pelo seu bem, e pelo bem das crianças e jovens. 

É que, pior do que a “fadiga da pandemia”, será a possível “fadiga do confinamento”.

PS: Se é Educador, trabalhar o Autoconhecimento é fundamental.

Para participar do direto, clique aqui!

Foto de bruce mars no Unsplash